A demografia é provavelmente um dos factores que mais impacto tem numa economia. No entanto, à medida que os países em desenvolvimento continuam a contribuir para o crescimento demográfico (e hoje são já mais de sete mil milhões as pessoas que existem à face da terra), os países mais desenvolvidos, entre os quais se encontra Portugal, estagnaram no seu crescimento. O que acontece é que a natalidade tem vindo a diminuir e a esperança média de vida tem vindo a aumentar, o que tem conduzido ao envelhecimento da população.

Este envelhecimento da população tem vindo a gerar alguns problemas económicos, em grande parte devido às políticas sociais que foram sendo seguidas ao longo das últimas décadas.. Infelizmente, muitas das pessoas que hoje recebem uma reforma, ainda que pequena, como sustentam quase todas as pessoas, praticamente não descontaram o suficiente para a Segurança Social, de modo que, o dinheiro que recebem hoje não resulta daquilo que descontaram ao longo dos anos, mas sim daquilo que os trabalhadores atuais descontam.

Não bastasse isso, também é certo que o número de desempregados em Portugal também vem a crescer de dia para dia e o empreendedorismo português não é tão elevado como se gostaria. São também muitos aqueles que trabalham por conta própria, fazendo uns “biscates” aqui e ali, mas que não fazem descontos. Assim, visto que a sua declaração de rendimentos é baixa, o Estado continua a dar-lhes subsídios e cada vez mais benefícios que fazem com que muitos nunca queiram fazer descontos para o Estado.

Obviamente, temos que ser justos e referir que há muitas pessoas que não têm condições para trabalhar e que realmente precisam de ajuda. Mas o que é certo é que as ajudas dadas a esses são muitas vezes insuficientes porque o dinheiro do Estado não chega para tudo e há muita gente a receber subsídios que não os deveria receber.

Existe solução?

O problema base coloca-se ao nível da Educação Cívica em Portugal. As pessoas precisam começar a aprender desde bem cedo que, se não forem cidadãos responsáveis, mais cedo ou mais tarde a necessidade também lhes poderá bater à porta e eles não terão o que comer. Com um país em que não existe esta mentalidade, é muito difícil haver um crescimento sustentado da economia.

Além disso, este problema tende a agravar-se porque, ao passo que a população portuguesa está praticamente estagnada, não tardará o início da diminuição demográfica no nosso país. Se quem hoje desconta está a pagar as reformas e subsídios de hoje, e com o número de jovens a ser cada vez menor, quem pagará as carências económicas e sociais dos “velhos” do futuro?

De fato, o ideal seria um estado que tivesse a capacidade de dar um murro na mesa, de deixar de favorecer os ricos e os “amigos” e que realmente optasse pela justiça social. Um governo que investisse na fiscalização, não só ao nível das finanças, que é o que todos fazem, mas também de todos aqueles que recebem subsídios, sendo que cerca de 50% desses subsídios são indevidos.

A primeira coisa a fazer para resolver os problemas económicos do país seria sempre pagar as dívidas ao estrangeiro. Depois disso, a fixação do défice em 0%, ou muito próximo disso, seria garantia de dependermos de nós mesmos. Só depois disso se poderia olhar para o futuro com alguma esperança ao nível económico.

O problema é que não se combate uma crise económica asfixiando a economia. Senão vejamos: só haverá retoma económica quando houver mais dinheiro a circular, e não apenas aumentando as receitas em detrimento do investimento a vários níveis.

Se o Estado investir hoje na Educação, na formação, e no apoio ao aumento da natalidade dos portugueses… Se conseguir inculcar nas cabecinhas dos mais pequenos a necessidade de serem cidadãos responsáveis… Talvez no futuro, quando este país for um país de idosos, a vida consiga ser melhor para todos.

Por outro lado, se não houver um incremento da natalidade inserido numa política sustentada de desenvolvimento, ficará sempre no ar a pergunta: Quem pagará as nossas reformas daqui a uns anos?

Até lá, continuamos a ter que conviver com a triste constatação de que a nossa reforma só irá depender de nós, e do dinheiro que  conseguirmos poupar  até lá.

E vocês, o que pensam disto? Deixem o vosso comentário e participem na discussão.

Até Breve!

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