Uma proposta de valor pessoal é uma das formas mais poderosas que permite que os recrutadores nos escolham a nós e não a qualquer outro candidato. De uma forma genérica uma proposta de valor é o que as empresas estabelecem para os seus produtos – escolhem o segmento de mercado, os benefícios do seu produto, e o seu preço de venda. É por causa disso que o cliente irá comprar o seu produto.

Se aplicarmos este conceito a uma pessoa, facilmente percebemos de que nós também poderemos estabelecer a nossa Proposta de Valor Pessoal, para fazer com que nos destaquemos dos outros candidatos e sejamos escolhidos para a função que queremos. E, principalmente, em alturas de crise e de alto desemprego, convém utilizarmos tudo aquilo que pudermos para nos destacar da nossa concorrência, ou seja, dos outros candidatos.

A questão principal é: Como estabelecer uma Proposta de Valor Pessoal que seja atractiva e que o faça destacar dos demais?

Gostava de vos falar de um candidato que entrevistei há pouco tempo, o António (o nome foi alterado). António é um quadro experiente ligado à área de produção fabril, de 54 anos de idade; e o seu interesse e habilidade em operações de fabrico é a pedra angular da sua Proposta de Valor Pessoal.

Gostaria de reproduzir aqui parte da conversa que tive com ele, mais concretamente algumas das coisas que me falou:

“ É difícil saber em que é que você é realmente bom. Você precisa ter mais do que o comum, e não existem categorias convenientes. Eu procuro os tipos de coisas, onde eu me encaixo naturalmente, procuro sempre fazer o que eu gosto”.

Ele recebe cerca de três ou quatro propostas por ano pedindo-lhe para considerar uma posição de Director Geral numa empresa. As propostas que recebe são provenientes tanto porque ele é um forte candidato para trabalhos onde ele se encaixa, e porque as pessoas que o procuram sabem disso. No entanto os contactos que António recebe são todos eles relacionados com a sua Proposta de Valor Pessoal. É fácil entender de onde ele é forte e o que ele quer fazer. A sua Proposta de Valor Pessoal é distintiva e faz com que ele sobressaia dentro de outros candidatos com perfil de executivo igualmente qualificados

Aqui estão os quatro passos para desenvolver uma Proposta de Valor Pessoal forte:

1. Definir uma meta clara.

A Proposta de Valor Pessoal começa com a definição do seu alvo, um objectivo que define o que você tem para oferecer. Defina claramente qual o seu objectivo em termos profissionais, e muito francamente, evite “sonhar acordado” com um determinado salário ou status. Mais importante do que um bom salário, é sentir-se feliz com o trabalho que faz.

Isto não quer dizer que se esqueça por completo da questão do dinheiro que pretende ganhar, mas o salário não pode, nem deve, ser a única variável a considerar quando se estabelece uma proposta de valor pessoal. Pode sempre definir uma valor mínimo de salário, que será depois complementado com outras variáveis como sejam por exemplo: viatura para uso total, seguro de saúde, plano de complemento de reforma, mais dias de férias, etc.

2. Identificar seus pontos fortes.

Pode parecer óbvio, mas o que você sabe e o que você pode fazer são a base da sua Proposta de Valor Pessoal. Por isso centre-se naquilo que domina e faça um esforço para melhorar outras áreas de conhecimento. Desta forma poderá focalizar-se, e dar a conhecer, os seus aspectos mais relevantes e que combinam mais consigo.

Prepare-se para saber defender numa entrevista os pontos fortes que identificou, bem como para fornecer dados concretos da sua execução. Não basta dizer que trabalhou numa empresa que facturou 2 milhões de dólares, mais importante do que isso é demonstrar de que forma o seu contributo foi importante ara a concretização dos objectivos da empresa.

3. Defina os seus pontos fortes para a sua posição alvo.

Aprenda a ser pró-activo. Lembre-se de que a sua função ao querer mudar de emprego é a de convencer o recrutador de que você é diferente do resto dos candidatos. Por isso apresente-se como o candidato “ideal para a função”.

Um dos grandes problemas da maior parte dos candidatos a emprego, é o de não saberem explicar em concreto aquilo que desejam fazer em termos profissionais. Na maior parte das vezes dão uma descrição vaga, ficando à espera “que pegue”. E na maior parte das vezes não o conseguem explicar no seu currículo. Na realidade o que os recrutadores procuram num candidato é precisamente avaliar até que ponto é que o seu perfil pessoal se encaixa na descrição da função e nas responsabilidades que irá ter na execução do seu trabalho.

4. Fornecer provas e histórias de sucesso.

Os seus pontos fortes podem ser o que um empregador queira “comprar”, mas suas realizações são a prova que você tem esses pontos fortes. Eles fazem o seu caso ser mais convincente. Algumas pessoas preparam uma portefólio não-confidencial para mostrar que as evidências do seu trabalho de uma forma vivida. Reúna fatos sobre as realizações mensuráveis, tais como o crescimento das vendas, redução de custos, implementação de novos métodos que permitiram rentabilizar o seu trabalho, etc.

Voltando ao caso de António, o seu sucesso do passado demonstra que ele tem a capacidade e enfatiza seus pontos fortes. Em tudo isso, a qualidade intrínseca de António é fundamental para seu sucesso, mas não é toda a história. É através da sua Proposta de Valor Pessoal que António está a fazer valer o máximo dos seus talentos. Assim, está a poupar tempo para si e para quem possa ter interesse em o contratar.

E vocês? Já pensaram em qual é a vossa Proposta de Valor Pessoal?

Até Breve!

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