Melhorar o networking, e a forma como nos relacionamos com as outras pessoas é cada vez mais um atributo essencial para sobreviver à crise de emprego, e de dinheiro que nos cerca. mas provavelmente estamos a apostar no cavalo errado se não pensarmos primeiro em nós próprios.

É quase impossível nos dias de hoje não pensar em formas de melhorar a nossa rede de contactos, o nosso networking, como uma forma de melhorar a nossa vida e as oportunidades de trabalho. No entanto, convém nunca esquecer que qualquer atitude para melhorar o nosso networking profissional, ou o nosso marketing pessoal deve sempre ser acompanhado pelo nosso aspecto mais individual enquanto pessoas.

As empresas até podem dizer que querem ter super-humanos a trabalhar para elas, mas ninguém vive apenas com o seu trabalho se não conseguir encontrar um equilíbrio entre o seu lado pessoal e o seu lado profissional.

É muito fácil deixarmo-nos ser consumidos pelo nosso trabalho, e como consequência tornamo-nos maçadores para quem se relaciona connosco.

Tenho pensado um pouco sobre este assunto nos últimos tempos, e tirei algumas conclusões que achei que devia partilhar com os meus leitores, para ajudar a que não se sintam demasiado absorvidos pelo trabalho, sob pena de se tornarem “maçadores” para quem se relaciona convosco (neste caso também comigo).

É claro que teremos sempre na nossa rede de contactos aqueles “workaholics” que não vêem mais nada na vida para além do seu trabalho, mas mesmo para esses deixo aqui os conselhos que acho serem úteis para se conseguir ter um bom equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar.

1 – Ser honesto sobre o tempo que se gasta no trabalho e o porquê desse tempo

É mesmo necessário fazer noitadas de trabalho, prolongar o horário para além do normal para completar as tarefas que temos entre mãos, ou ficamos até mais tarde por outras razões? Para impressionar os nossos chefes, os nossos colegas em como somos mesmo “ muito dedicados à empresa” e ao nosso trabalho, ou simplesmente porque não nos sabemos organizar devidamente durante o nosso dia de trabalho?

2 – Aprender a fazer a gestão da nossa energia e não do nosso horário

Durante o dia, será que fazemos uma gestão racional da nossa energia “produtiva” e aplicamos o nosso esforço em tarefas que são realmente úteis, ou fazemos de conta que estamos a fazer algo, e perdemos o nosso tempo em tarefas fúteis e menores, só para nos sentirmos ocupados?

3 – Identificar e banir os nossos “rouba-tempos”

Saber identificar e fazer desaparecer aqueles aspectos que nos roubam tempo, é um dos caminhos mais eficazes para sermos mais produtivos. Estes aspectos que nos roubam tempo podem ser: pessoas que precisam sempre da nossa atenção, as nossas rotinas, reuniões, tarefas, ou mesmo os nossos maus hábitos.

Procurar os pontos críticos e eliminá-los é uma das formas de começarmos a ter mais tempo para o que é realmente importante.

4 – Encontrar um colega ou um mentor no trabalho

Em vez de sobrecarregar o nosso parceiro com questões de trabalho, procure um colega ou amigo no local de trabalho que o possa auxiliar a descarregar um pouco a pressão do quotidiano. Tente encontrar um período de tempo, talvez uma hora por semana, onde possa com liberdade falar do que “ lhe vai na alma” e ouça também o que o seu colega tem para lhe dizer.

Há alturas em que mais vale parar do que continuar a fazer asneira.

5 – Trate o tempo que passa fora do trabalho como santo e refresque-se

Se é certo que todos precisamos de uma dose de adrenalina ou de stress, aproveite o tempo fora do seu local de trabalho e liberte-se de preocupações relacionadas com o seu trabalho.

Arranje alternativas para esquecer o trabalho após uma semana do mesmo. Tem que ser capaz de o conseguir para poder gozar da sua saúde e do tempo em família, com os amigos ou com actividades que o realizem enquanto pessoa.

Ginásio, caminhadas, escapadelas, restaurante, algo que o faça esquecer a sua rotina diária e semanal do trabalho. Afinal ninguém o aguenta se só souber falar de trabalho, o que é que isso diz de si enquanto pessoa?

6 – Relembre-se de que você é mais do que apenas o seu trabalho ou a sua profissão

Pode gostar muito do seu trabalho, e das tarefas que faz, mas é um erro grave identificar-se apenas com esse aspecto.

Despense algum tempo para reflectir no rumo que a sua vida está a tomar e se efectivamente faz o que gosta e do que precisa para fazer tudo o que gostaria (independente do dinheiro). Aprenda a desprender-se do lado material, há imensas coisas que podem ser feitas para o ajudar a concentrar-se e não precisa sequer de dinheiro para isso.

Uma boa caminhada pelo monte é por vezes suficiente para o fazer despertar para a vida que o rodeia e que não acaba no ecrã do computador ou na parede do escritório.

Finalmente, viver a vida bem em pequenas partes é uma excelente maneira de se distanciar do seu trabalho. Uma vez um colega francês ensinou-me aquilo que ele chamava por “l´art de vivre” (a arte de saber viver). Que passava simplesmente por apreciar as pequenas coisas numa base diária – como um bom pão, um bom café, usar uma caneta especial, ler um livro ou uma revista, jantar em paz, beber um bom copo de vinho – enfim, todas as pequenas coisas que nos permitam relaxar e preparar mentalmente para as nossas dificuldades diárias.

Lembro-me muitas vezes de um anúncio publicitário que já tem alguns anos que dizia “ Se eu não gostar de mim… quem gostará?”, e é muito difícil conseguir uma boa rede de contactos que nos valorize enquanto pessoas se a única coisa que nos faz mover é a nossa obsessão pelo trabalho.

Os tempos não estão fáceis, a crise e a falta de dinheiro tocam a todos, mas se nos esquecermos do que somos enquanto pessoas, nunca conseguiremos ter forças para sair da crise.

Por isso, antes de pensar no networking…. Arranje uma vida. Neste caso a sua!

E, já agora, acha que estou errado? Por favor partilhe a sua opinião e deixe um comentário!

Até Breve!

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