Existem muitos mitos e verdades sobre o funcionamento do mercado de trabalho. Mas numa coisa todos estão de acordo, é que o  mercado de trabalho está longe de ser perfeito. Numa altura de crise todas as verdades e mitos urbanos sobre o mesmo estão a ser colocados em causa, já que a sobrevivência num clima de instabilidade é a chave do sucesso.

Recentemente tenho abordado algumas temáticas sobre produtividade e desenvolvimento pessoal, como uma forma de enfrentar a crise em que vivemos, e assim recomenda-se a leitura também dos seguintes artigos:

6 Hábitos para melhorar o seu sucesso profissional e pessoal,

7 conselhos maquiavélicos para mudar a sua vida para melhor

Assim e nesta sequência de artigos, vou hoje tentar desmistificar alguns mitos e verdades sobre o mercado de trabalho e formas de os enfrentar da melhor forma.

A primeira regra a ter em conta, e como já dito é que, o mercado de trabalho não é perfeito, nem está cheio de pessoas com boas intenções. O mercado de trabalho não é formado por chefes puritanos, ou por empresas que colocam os seus valores acima dos seus lucros.

Assim, vamos então ver algumas das verdades e mitos sobre o mercado de trabalho que ninguém gosta muito de falar:

1 – O mercado de trabalho gosta de pessoas inovadoras

Todos ouvimos que as empresas valorizam e praticam a inovação, mas CUIDADO, se acabou de ser contratado e vai iniciar funções é normal que esteja cheio de ideias e de conceitos novos e que os queira colocar rapidamente em prática. Embora a maior parte das empresas se assuma como “jovem e dinâmica” nos seus anúncios de recrutamento e no discurso, a verdade é que a maior parte das empresas se observa exactamente o contrário. Muitas pessoas na sua nova empresa podem ser conservadoras na sua atitude, e não querem arriscar e mudar já que isso pode significar perderem os seus privilégios, e nalguns casos eventualmente o cargo que ocupam ou as funções que desempenham.

2 – Tudo se consegue através do talento e da competência demonstrada

A competência é fundamental em qualquer área de actividade (a não ser que seja familiar do dono da empresa). O problema é que ser competente no que faz e demonstrar talento na execução não é garantia de sucesso. Acima de tudo é preciso aparecer e ser visto. Há alguns anos disseram-me uma frase que ainda hoje recordo “nesta profissão não interessa o que se faz, interessa é o que os outros pensam que nós fazemos”, e acho que esta frase se pode aplicar a todos os ramos de actividade.

Ou seja, aprenda também a promover e a divulgar o seu marketing pessoal, para que o seu talento seja reconhecido, de outra forma arrisca-se a ver as oportunidades passarem-lhe ao lado.

3 – Os chefes querem sempre o melhor para os seus subordinados

Era bom que assim fosse, não era? Existem sem dúvida óptimos líderes nas empresas, mas existem também péssimos chefes cujo único pensamento é a sua auto-promoção, e para isso usam todos os truques que existem para denegrir os outros e fazer passar a mensagem de que só eles são necessários para fazer uma empresa funcionar.

Neste caso, lembre-se e faça sempre lembrar com quem conversa de que “os cemitérios estão cheios de pessoas insubstituíveis”.

4 – Os aumentos de salário premiam quem os merece

Este poderá ser o mito dos mitos no mercado de trabalho. Muitas vezes você dá o seu melhor, dá tudo por tudo, faz todos os sacrifícios que lhe pedem, e no final outra pessoa acaba levando o mérito. Ou, outras vezes, o seu chefe simplesmente não tem muita afinidade consigo e acaba por não se esforçar para fazer valer o seu desempenho junto da administração.

Existem muitas variáveis em jogo no que respeita ao aumento de salário, e nem sempre acontece que quem trabalha mais e mais se esforça acabe por ver o seu esforço recompensado com um aumento de salário.

5 – Quem é promovido precisa de provar o que vale

Todos conhecem de certeza alguém que foi promovido e na ânsia de mostrar que mereceu a promoção se transforme por completo quase numa outra pessoa. O problema é que em determinada alturas a farsa acaba.

Por isso se for competente não precisa de mostrar ou provar que mereceu a promoção, basta apenas continuar a desempenhar o seu trabalho da mesma maneira como o fazia até a altura em que foi promovido. A segurança em si mesmo deve ser mais do que suficiente para não ter que provar nada a ninguém.

6 – A avaliação de desempenho é sempre feita de forma correcta

O momento da avaliação de desempenho deve ser o mais objectivo possível. No entanto uma correcta avaliação de desempenho depende do contexto no qual ela foi realizada e da percepção que as pessoas têm de você, que pode ser equivocada. “O feedback pode ser útil, mas ele deve ser interpretado”.

Para mais informações sobre avaliação de desempenho aconselho a que leia o artigo Para que serve a avaliação de desempenho aqui no blogue.

7 – É bom ter amigos na empresa ou local de trabalho

De uma certa forma, a frase está correcta desde que não se misture e se saiba diferenciar as situações, acabando por colocar o seu emprego em risco. Por exemplo, se um amigo seu for promovido e passa a ser o seu chefe directo, será que não vai achar no “direito” de faltar ao trabalho ou chegar constantemente atrasado, já que como o seu chefe é também seu amigo ele entenderá que você está a ficar mais desleixado no desempenho do seu trabalho?

É bom que exista amizade no local de trabalho, ou em qualquer lugar, mas evite confundir o lado pessoal que todos temos com o lado profissional que todos devemos manter se queremos ser produtivos e eficazes no nosso trabalho.

8 – Os recursos Humanos são o melhor amigo dos colaboradores da empresa

Há alguns profissionais, que mal têm algum problema na empresa, desatam a correr para o departamento de recursos humanos, como se esperassem encontrar um confessionário. Mas será que se pode confiar cegamente nos departamentos de recursos humanos?

Se é certo que existem pessoas sérias e humanizadas, que estão lá para ajudar os funcionários e lutar por eles, há também pessoas que utilizam a sua posição para detectar falhas das empresas e dos funcionários. Em resultado disso num processo de demissão alguém pode ser demitido sem perceber muito bem o motivo.

Por isso quando tiver problemas no seu emprego, procure primeiro conselhos junto dos seus amigos de fora da empresa que talvez lhe consigam dar uma visão mais objectiva da situação. Recorra ao departamento de recursos humanos, mas mantenha sempre alguma distância e não corra para lá a confessar-se.

9 – É bom ter férias de 30 dias

Apesar de todos termos direito à férias, há que ter muito CUIDADO! Dependendo da empresa e da situação pela qual ela passa, pode ter uma surpresa desagradável ao voltar ao seu local de trabalho. Outra pessoa pode estar a ocupar o seu posto de trabalho.

Actualmente, 30 dias acabam por ser muito tempo, a não ser que tenha absoluta segurança no seu emprego. Mas dizer que não há perigo nenhum quando alguém tira 30 dias seguidos de férias é sempre muito relativo e tem muito a ver com a empresa em questão.

10 – É mau errar

Algumas empresas cultivam uma cultura do medo, e quando alguém erra é rapidamente julgado, e muitas vezes punido. Mas a verdade é que a questão não é o erro em si, mas sim a relação que se cria com o acto de errar.

Existe um ditado que diz que “Só não erra quem não faz”, e é bem verdadeiro. No final de contas errar acaba sendo algo de bom, porque assim o profissional tem a oportunidade de aprender com uma situação difícil.

Apesar de não ser desejável procurar errar, nunca nos devemos esquecer que Napoleão Bonaparte perdeu a guerra porque nunca havia perdido uma batalha!

Já agora, se conhece mais mitos e verdades sobre o mercado de trabalho, partilhe-os com os leitores e deixe o seu comentário a este artigo!

Até Breve!

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