Durante os períodos de crise económica, nota-se um aumento da obesidade nas populações afectadas. No nosso caso concreto, e segundo dizem, os portugueses estão a comer menos, pelo menos de acordo com as queixas de alguns comerciantes.

Isto é, estão a comer menos fruta e menos carne, e estão a comer cada vez mais peixe, e assiste-se também a um aumento das compras de marca branca com excessivo valor de calorias.

Mas de acordo, com as noticias que têm vindo a público, esta situação não se deve a nenhuma preocupação com a obesidade ou com os efeitos do colesterol, na saúde. A verdade é que o aumento das compras neste tipo de produtos deve-se essencialmente ao seu baixo preço.

A realidade é bem mais assustadora, e só demonstra a pobreza envergonhada que se começa a sentir. E mais importante do que encontrar as causas deste tipo de obesidade, será mais importante pensar nas suas consequências futuras.

De acordo com as últimas noticias, esta situação deve-se apenas a um único factor: a falta de dinheiro. E apesar destes cortes alimentares parecerem indicar um combate contra a obesidade, a verdade é que demonstram que o espírito consumista mantém-se nas coisas supérfluas e é reduzido no que à saúde diz respeito.

Afinal, podemos viver sem quase tudo menos o essencial que é a alimentação.

Confesso que nem era para escrever este artigo, confesso que nem me passava pela cabeça que estas situações acontecessem. Mas confesso também que este tipo de noticias me encoraja cada vez mais a manter este blogue, e a tentar rentabilizar formas de sair da crise.

Por outro lado, e tendo em conta que fui um dos milhares de voluntários na recolha de alimentos promovida pelo Banco Alimentar, e tendo em conta que este ano se ultrapassou largamente o número de toneladas de alimentos oferecidos, fez-me pensar que afinal os portugueses como nação ainda se preocupam com os seus compatriotas que mais necessidades sentem nesta altura.

Perante isto, a minha análise crua e dura é a de que enquanto não se mudarem as mentalidades e acreditar que é nos projectos de iniciativa individual ou de grupo, que se conseguirá sair deste aperto que nos sufoca, não se inverterá esta tendência. E desculpem o paralelismo, mas quando deixamos que a crise fique obesa, é porque não fazemos o suficiente para inverter esta situação.

De facto, este não é um artigo normal aqui no Crise e Dinheiro, mas pretende chamar a atenção para algo assustador que é a pobreza envergonhada a que assistimos e que se prepara para tomar conta da nossa economia nacional (e das nossas economias pessoais).

Assistimos todos os dias a noticias que nos dão conta de que os tempos que se aproximam serão tempos difíceis, no entanto, se não cuidarmos como deve de ser da nossa alimentação, só iremos continuar a contribuir para que esta situação se arraste e se prolongue até ao limite.

Por isso, um último apelo: Vamos ser criativos e encontrar formas de sair da crise, vamos dar o nosso melhor para que pelo menos na blogosfera se despertem consciências, e se deste esforço surgirem projectos válidos que auxiliem e dinamizem a criação de postos de trabalho e consequente retoma financeira para algumas famílias, então é porque esta aventura diária vale a pena.

Venham de lá as ideias, venha daí o capital financeiro e humano e Força com todos os projectos que iniciarmos.

Já agora, gostava de ouvir os vossos pontos de vista. Deixem um comentário e digam-me se estou assim tão enganado nesta análise que fiz.

Até Breve!

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