As épocas ou períodos de crise são sempre particularmente sombrios. As previsões económicas revistas sucessivamente em baixa, notícias onde predominam os pessimismos, e maus augúrios, como se o mundo como o conhecemos fosse acabar em breve….
No entanto, uma leitura mais atenta e mais focalizada demonstra-nos como as previsões mais pessimistas são também uma fonte de novas oportunidades e de desafios.
Os tempos de crise revelam, por surpreendente que possa parecer, um conjunto de profissões, de talentos e de empresas que tiveram capacidade de pensar de uma forma estratégica, prosperando. Muitas vezes, isso significa uma capacidade, inata ou educada, para observar o que fazem os concorrentes, e fazer ainda melhor do que os outros.
Vamos então por partes…..
1 – Destruição e Renascimento
Veja-se o que fizeram os fabricantes nipónicos no pós-guerra… um país arruinado, ocupado militarmente, com um novo sistema político… cidades arrasadas… não nos atreveríamos a chamar um país em crise ao Japão de 1945, mas sim um país arrasado… e o que fizeram a Toyota, a Honda e outros? Começaram por copiar, e melhorar depois, os veículos das forças armadas norte-americanas. Melhorando sucessivamente aquilo que os seus concorrentes, os grande fabricantes americanos, faziam.… Copiar… melhorar… inovar… o modelo japonês de sobrevivência face a uma catástrofe, a derrota militar da segunda guerra mundial. Em tempos de crise pede-se às empresas, por paradoxal que possa aparentar, uma atitude e um esforço de investimento em saber mais, em qualificar recursos humanos, em internalizar competências.
2 – Aventureiros fora de tempo
Um investimento em contra ciclo, que se veio revelar como o verdadeiro sustentáculo para o futuro. Uma atenção ao que nos rodeia, uma capacidade para observar, trabalhar e ler. Muito de todos. Algo que, por exemplo, as todo-poderosas empresas de transporte ferroviário, no início do século XX não fizeram. Escudadas em milhões de clientes e accionistas e em centenas de engenheiros, cometeram o pecado da Miopia de Marketing. Esqueceram qual o seu negócio. E que não estavam no negócio do caminho-de-ferro, mas sim no negócio do transporte e no da aproximação de coisas e pessoas. E, por isso, não atentaram que umas pequenas empresas, nascidas em vãos de escada, mas usando uma tecnologia bastante diferente, se estavam a preparar para as destronar. Empresas com nomes como Daimler, Renault, Peugeot, Mercedes. Em poucas décadas, as omnipotentes empresas do caminho-de-ferro caíram, e em seu lugar surgiram as do automóvel, tecnologia menos eficiente, mas muito mais eficaz a satisfazer as necessidades de mobilidade dos cidadãos e empresas.
3 – Estudar BEM o mercado
A capacidade de descobrir necessidades não satisfeitas, novos mercados e novas formas de fazer produtos e serviços é a marca distintiva que separará empresas vencedoras das perdedoras. Quebrar a Miopia de Marketing fará a diferença em tempos de crise. Veja-se o caso da cadeia de lingerie feminina, Victoria´s Secret (na Europa, Intimissimi, conquanto esta seja um conceito um pouco diferente). Fazendo várias viagens regulares à Europa, o fundador do grupo de retalho de vestuário Limited tinha reparado que as senhoras europeias compravam lingerie em pequenas boutiques, de aspecto cuidado e serviço personalizado. Compras essas que resultavam de um acto voluntário, deliberado. Frequente.
Em contraste com o que se passava nos EUA, onde a mesma compra era efectuada num grande armazém, em espaço mais impessoal, e mais numa lógica de roupa interior infrequente, e menos numa outra de sensualidade e sedução. Importar o conceito e adaptá-lo ao mercado norte-americano, primeiro (e nenhum europeu se lembrara disto?!!), capitalizando na tendência de se casar mais tarde, namorando mais; depois notando que as compras eram feitas pelas mães cada vez na companhia das filhas, o que resultou num alargamento da linha de produtos para as crianças e adolescentes femininas, reinventando o posicionamento de lingerie e alterando o conceito de algo para adultos.
4- A execução da Ideia
Depois, a criação das supermodelos Victoria´s Secret, posando e desfilando com asas à laia de anjos… fazendo sonhar… E, finalmente, supremo talento empresarial, expandindo a marca a todo o mundo, em particular à Europa!
Assim, o que importa reter destas situações, é que as alturas de Crise podem e devem ser aproveitadas para dar uso à imaginação, e desenvolver novos (ou diferentes) conceitos de negócio que respondam aos desejos dos consumidores.
Crise? Não para todos…
Já agora, conhecem algumas ideias que possam ser aproveitadas? Partilhem-nas e deixem um comentário!
Até Breve!




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Pedro obrigado pela excelente análise dos pós-crises.
Eu deixo uma ideia: Portugal melhorou muito. É um país europeu com uma óptima moeda inserido num grupo de países de topo: Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Itália (U.E.) são os nossos vizinhos. Do lado de lá do atlântico: EUA e Brasil. Situação geográfica espectacular.
A ideia: este período de crise seria óptimo para revermos a nossa ocupação territorial. O interior do país já não é o que era com a adesão à U.E. creio que se encontram escondidas oportunidades de um frentismo europeu, de uma ocupação e povoamento do interior do país a somar ao nosso eterno frentismo atlântico.
Para Portugal seria uma mais valia que iniciativas surgissem nesse espaço interior do nosso território.
Acrescido a ele viria um repovoamento das terras agora abandonadas e incultas, prédios abandonados, etc. com outro tipo de oportunidades mais modernas, mais coloridas do que eram a enxada e o arado de outros tempos.
Abraços
.-= antonio pereira´s last blog ..dinheiro =-.
Bem nunca se sabe se sou um deles ando a magicar aqui uma coisita…..mas ainda demora!!
Cumprimentos
.-= Soares´s last blog ..Cuidado com os falsos anti virus =-.
@ António Pereira
Pelo menos assim de certeza que se acabava com a desertificação do interior.
Fica registada uma excelente ideia
@Soares
Ficamos à espera….. e dispostos a ajudar no que for preciso
Obrigado pelos comentários