Sobreviver ao assédio moral

28 de Maio de 2009 · 11 comments

Segundo o último estudo, há pelo menos 100 mil portugueses que são vítimas de assédio moral no local de trabalho, mas a maioria não apresenta queixa porque tem medo das represálias que pode vir a sofrer por parte das empresas.

De acordo com algumas das frases que se ouvem do género: “é melhor ter um mau trabalho do que não ter nenhum“, ou ” temos que nos sacrificar para manter o emprego“, esta é a realidade a que a maior parte das pessoas já se habitou a interiorizar para se manter no seu emprego, apesar de não se sentir bem com o mesmo, e é aqui que caem vítimas do assédio moral a que são sujeitas.

Convém ainda acrescentar que desde Agosto de 2008 até maio de 2009, foram perdidos cerca de 94 mil empregos em Portugal.

O problema é que este tipo de raciocínio que nos é transmitido (e infelizmente aceite), além de aumentar a pressão sobre os trabalhadores, vem também somar cada vez mais vítimas deste tipo de violência, e o resultado é que as pessoas não apresentem queixa porque têm medo de perder o emprego.

Então o que é isto de Assédio Moral?

assedio-moral

De acordo com o Código do Trabalho, há assédio moral quando se verifica um comportamento com “o objectivo ou o efeito de afectar a dignidade do trabalhador e criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador.”

Bom, mas isto é o que diz a lei, mas o que acontece na prática, a estratégia mais vulgar passa por colocar o funcionário “na prateleira”, ou seja, não lhe dar trabalho nenhum e pressioná-lo para que se despeça.

No entanto, há ainda estratégias mais perversas, que passam pelo insulto velado, pela diminuição de poderes e de tarefas, e ainda de sujeitar as pessoas a todo o tipo de comportamentos idiotas e fazer com que elas se cansem e de despeçam.

O problema do assédio moral é que é sempre muito complicado provar que se está a ser vítima, ou que se está a ser prejudicado por causa disso. É que é sempre muito complicado arranjar colegas de trbalho que testemunhem que alguém foi vítima de assédio moral. Afinal nunca se sabe quem será a próxima vítima, e além disso ninguém gosta de dar a cara para ajudar as vítimas de assédio moral, já que o que normalmente circula no “jornal interno (ou boatos”), é a imagem de incompetente de quem é vítima deste tipo de assédio moral.

Pior ainda se torna, quando as depressões e o stress se instalam e vêm ainda ajudar a piorar uma situação já delicada.

Assim, se conhece alguém que seja vítima de assédio moral, faça com que denuncie a situação junto da Autoridade das Condições de Trabalho, e ajude-o a superar uma fase da qual ninguém está livre de se ver metido nela.

Já agora, conhecem alguém nesta situação? Partilhem as vossas ideias e deixem um comentário!

Até Breve!

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{ 11 comments… read them below or add one }

Estevao Maio 29, 2009 às 9:15

Sem duvida que tens razao, mas tambem temos de ver o lado dos patroes. Muitas vezes isto acontece porque os proprios empregados pensam “é melhor ter um mau trabalho do que não ter nenhum” e nao se despedem ou procuram melhor. Ficam acomodados, infelizes e nao produzem. Depois entra-se no ciclo vicioso de culpar e falar mal do “chefe”. Eu ja vi isso.
E quantos empregados nao produzem o que devem e so protestam? Quantos nao gostam do que fazem e nao sao nenhuma mais valia para a empresa? E os patroes simplesmente nao os podem dispensar porque tem de dar indmenizacoes etc etc.

Estevaos last blog post..Já pensou em ganhar dinheiro em equipa?

Responder

Pedro Maio 29, 2009 às 19:06

@ Estevão
Gosto em ter-te de volta :)
Não quero fazer de advogado do diabo de ninguém, mas na maior parte das empresas a desmotivação resulta de erros da gestão.
Obrigado pelo excelente comentário!
Cumpts

Responder

marcos Maio 30, 2009 às 1:03

Olá concordo com o amigo estevão!!

marcoss last blog post..Z

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Pedro Maio 30, 2009 às 23:25

@ Marcos
Bem vindo ao blogue!
E obrigado pelo comentário perspicaz.
Eu também não deixo de concordar com o Estevão, no entanto, acredito que a maior parte dos problemas que cusa a desmotivação não tem só a ver com as características pessoais. Continuo a achar e acreditar que muito se deve a erros de gestão.

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Renata Martins Maio 30, 2009 às 8:47

Este artigo está muito interessante. Actualmente uma boa gestão de recursos humanos é fundamental não só para evitar o assédio moral, aqui pensado numa linha vertical, isto é empregador-trabalhador, mas também para evitar o mobbing – uma espécie de bullying entre colegas de trabalho.
Um bom ambiente de trabalho é essencial para a produtividade, na minha opinião, assim como para manter a motivação em alta.

Responder

Pedro Maio 30, 2009 às 23:23

@ Renata
Obrigado pelo comentário!
Realmente o mobbing começa a ser uma tendência em alta em algumas das empresas que conheço!

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Laurentino Mello Junho 4, 2009 às 11:52

Pode acontecer em outras circunstâncias, mas uma muito comum é a das chefes praticarem essa atitude, onde na verdade, é total despreparo por parte do mesmo, pois, existe diversas formas de incentivar e motivar o colaborador e consequentemente trazer melhores resultados para a empresa.

Abraços!

Laurentino Mellos last blog post..Educação Básica: Cultive essa Prática!

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Branca Catarina Agosto 5, 2009 às 0:24

Tenho 37 anos e trabalho numa associação empresarial desde os meus 18 anos.
Comecei o meu percurso profissional como estagiária e fui evoluindo na carreira, passando por telefonista, escriturária e por fim técnica administrativa na área da formação profissional.
Em Abril de 2009, por meio de acto eleitoral, esta associação mudou de direcção. Na primeira quinzena de Julho/2009, a direcção resolveu reestruturar o quadro dos trabalhadores, dando-lhes funções que não correspondem o perfil da sua categorial profissional (funções de perfil de categoria inferior).
Como técnica administrativa, exerço funções onde faço a gestão de processos de Formação desde a sua divulgação até à entrega dos respectivos certificados, passando pelo contacto com os clientes no sentido de descobrir as suas necessidades formativas, pela angariação e inscrição de formandos e pelo apoio administrativo permanente aos formadores e formandos.
Com a reestruturação os directores querem que deixe de exercer estas funções e passe a desempenhar funções ligadas ao serviço extremo, desde angariação de sócios, à cobrança de quotas, passando pelas reais necessidades dos associados, etc.
Resumindo querem que como diz o ditado, ande de cavalo para burro.
Não estou disposta a exercer estas funções, que nada tê a ver com o meu percurso profissional. Sei que se não aceitar estas condições vou ser vitima de represálias que jamais conseguirei provar.
Gostaria de saber como posso denunciar esta situação sem que seja alvo de processo disciplinar ou represálias. Como virar o feitiço contra o feiticeiro pedindo demissão por justa causa?

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Pedro Setembro 7, 2009 às 21:59

Branca,
espero que tenha respondido o meu e-mail e que tenha ajudado!

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Rafaela Janeiro 3, 2010 às 18:40

Boa tarde e bom ano! Apesar do hiato entre o início do tema a o meu comentário, acho que no tema em assunto, e quando nos vemos envolvidos num modelo de negócio que “apoia” os fins a qualquer custo, torna-se sobretudo difícil obter matéria para denunciar. As testemunhas não surgem, toda a gente sabe, vê, experiencia até, mas ninguém se mete. As provas muitas vezes são miudinhas, mail’s, mudanças de posto, facilmente deturpadas com orientações gerais e não particulares, e as confrontações são sem testemunhas.

Responder

Ana Barreto Fevereiro 1, 2010 às 3:12

Boa noite, antes de tudo..acho muito interessante este assunto não só pela sua importancia mas também porque estou a vive-lo neste momento.
Trabalho à quase um ano numa empresa multinacional, uma empresa de vendas altamente agressiva. É uma empresa que em Portugal paga muito acima da média mas traz-nos danos irreparáveis.
Tudo corria bem na empresa, apesar de nem sempre concordar com a política da mesma, pressão psicológica muito acima das empresas onde por já passei, lidam à base do medo e da intimidação. Fui abstraindo-me disso pois apesar de tudo conseguia financeiramente atingir alguns objectivos pessoais. Anulava essa situação interiormente e até à tão pouco tempo sempre consegui o fazé-lo. É uma empresa que humilha as pessoas directamente sem dó nem piedade, constroiem conflitos entre a equipa comercial e tentam dominar os comercias até ao limite das suas capacidades, dia a dia máximo a máximo. Trabalhamos mais de 12 horas diárias contando com as reuniões a possíveis clientes e reuniões tardias nos escritório, que nada se assemelham a reuniões de motivação, aumento de auto-estima e força para o dia ou semana seguinte. Limitam-se a culpar e a humilhar publicamente quem não atingiu objectivos propostos muitas vezes quase impossíveis, depois é só colocar essa mesma pessoa na “baila” de todas as conversas aos restantes membros da equipa, para que esses mesmos ja não vejam essa pessoa da mesma maneira. Abreviando é uma empresa que nos obrigam a fazer um trabalho “sujo” não só com os colegas mas principalmente com os clientes, ensinam-nos que devemos assumir uma atitude muito agressiva para com osmesmos e se eles não quiserem aceitar a proposta da empresa mandam-nos mesmo ofender os clientes, já passei algumas situações pouco agradáveis em reuniões juntamente com superiores, onde eu própria assisti a confrontos e ofensas verbais a clientes, onde jamais pretendo passar, sim porque sou eu que dou a cara não só pelas atitudes como também pela formação que é dada do produto nem sempre corresponde à realidade e o meu sentimento de desconforto e sentimento de estar a mentir foi me deixando cada vez mais distante da empresa, se é que me faço entender… Portanto neste momento estou a ser pressionada desde que passei a efectiva (2 meses), de uma maneira nunca vivida antes, começaram me por minimizar o meu trabalho e os meus resultados perante os meus colegas, depois com conversas desmotivadoras e diminuição de tudo o que fazia, até ao confronto directo de: ao assinava a minha rescisão voluntária a bem ou então passado uma semana despediam me com justa causa, enviaram-me inúmeras mensagens escritas de ameaça, do tipo: ” para o mês que vem o desemprego vai aumentar”, ” à pessoas a estragar a delegação, tem que haver uma limpeza”, “existem pessoas que andam a gozar com a minha cara car….”, ” enchia a minha cara de m… se fosse como tu”, “nao gostava de estar no teu lugar” etc etc etc, mensagens estas enviadas do meu próprio superior. Neste momento enviam me para trabalhos inferiores ou seja o meu trabalho consiste na marcação de reuniões com empresas e visita para demostração do produto e a venda do mesmo, e agora enviam-me para uma zona geográfica para fazer somente prospecção do mercado, zonas estas o mais longe possível. Ou seja estão a limitar-me, aliás não me estão a deixar vender e também afastaram-me de toda a equipa comercial inclusive das reuniões da empresa.
Acho insustentável continuar e estou no meu limite de capacidade para continuar, são quase 12 meses sem descanso, num esforço incalculável e estou desesperada. Gostaria de pedir ajuda para conseguir provar tudo isto e conseguir sair por justa causa, tenho testemunhas de pessoas que por lá passaram e provas de mensagens escritas.
Obriagado.

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