Os recém-licenciados e a experiência profissional

11 de Maio de 2009 · 5 comments

Num cenário de crise e de falta de emprego, a experiência profissional é vista por muitos recrutadores como uma mais-valia decisiva na hora de escolher um candidato, principalmente quando se trata de recém-licenciados.

No entanto, existe um dilema já velho, que se mantém sempre actual, como é possível que os recém-licenciados adquiram experiência profissional se ainda não lhes deram uma oportunidade de trabalhar na sua área de especialização?

É curioso verificar que mesmo em anúncios que pedem estagiários, se verifique que um dos requisitos seja o facto de os candidatos possuírem experiência profissional apesar de ao mesmo tempo se procurar aqueles que acabaram de sair das universidades.

Apesar de parecer um contra-senso em termos, a verdade é que as empresas não estão com contemplações, na altura de seleccionar um novo colaborador.

Então o que se pode fazer para contrariar esta tendência?

estagiarios

Bom, antes de responder à pergunta convém que se esclareça que uma das apostas que qualquer estudante pode fazer é procurar empresas que o aceitem como estagiário, mesmo que seja numa situação não-remunerada.

Apesar de à primeira vista isto poder parecer trabalho de borla, a verdade é que todas as pessoas precisam de um tempo de adaptação a realidades empresariais diversificadas e uma das formas de se conseguir isso, é através de estágios.

É certo que o tempo de estágio pode e deve ser aproveitado para por em prática os conhecimentos teóricos, e por outro lado, deve também permitir que se desenvolvam outros tipos de competências que ainda não se sabe se “têm pernas para andar”.

O que pretendo dizer com isto, é que a aposta deve ser feita, conhecendo-se as regras do jogo, e tentando aproveitar uma situação que pode trazer vantagens para ambas as partes.

Ganham as empresas porque assim, permitem que haja entrada de novas ideias e novos conceitos, e ganham os estagiários porque assim pelo menos conseguem enriquecer os seus currículos e potenciar futuros empregos.

Acima de tudo o importante é que não se criem falsas expectativas em nenhum dos intervenientes, e que a oportunidade seja vista como uma forma de aprendizagem e de enriquecimento pessoal. É certo que ninguém gosta de trabalhar de borla, mas é também certo que a formação em contexto de trabalho exige tempo e dedicação, e nem sempre é fácil obter os dois.

De qualquer forma, aqui deixo o meu conselho: aproveitem os estágios como forma de aprendizagem e de enriquecimento, e considerem-nos como uma porta de entrada, seja para a empresa onde se faz o estágio, seja para situações futuras.

Já agora, qual a vossa opinião? Partilhem as vossas ideias e deixem um comentário!

Até Breve!

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Nuno Maio 11, 2009 às 13:54

Olá, mais uma vez concordo e discordo.

Aceitar um estágio não renumerado até parece ser um hipotese seria e fiavel, sendo um oportunidade.

Discordo que todos os estágios sejam proveitosos.

Existem até em+resas especialistas em estágios, dessas é de fugir.

Responder

Renata Martins Maio 11, 2009 às 18:08

Considero que no geral, concordo com o teor e conteúdo do texto. A minha experiência, enquanto estudante, é que de facto, o estágio não só é uma mais valia como pode abrir algumas portas (para além de ser um componente obrigatório da formação. Não obstante, cada vez mais empresas recrutam colaboradores licenciados para a realização de estágios não remunerados, ou por outro lado, surgem instituição que “recrutam” voluntários para o exercício de funções de profissionais que deveriam ser (leia-se bem) remunerados.
Na minha opinião, quer a realização de estágios não remunerados, quer o voluntariado nos termos anteriores descritos, são situações perversas que apenas contribuem para a desqualificação das competências de profissionais altamente especializados.
Portanto, estágios não remunerados e “voluntariado” são por vezes “armadilhas” a que muitos se sujeitam em nome da aquisição de experiência profissional.

Responder

Pedro Maio 11, 2009 às 21:28

@nuno
Concordo contigo, mas penso que tendo em conta o cenário actual, vale mais a pena encarar o estágio como uma forma de aprendizagem!

@ Renata
Bem vinda ao blogue e obrigado pelo comentário. A verdade é que eu também já fui estagiário e já fui também orientador de muitos estagiários. O que lamento acima de tudo é a atitude que a amior parte das empresa tem para com os estagiários. E aí acho que estamos todos de acordo que são vistos como “escravos” para fazer o serviço que fazem os profissionais, com a única diferença que não são remunerados por isso.

Obrigado aos 2 pelos comentários!

Responder

Renata Martins Maio 13, 2009 às 7:38

Foi o meu estágio curricular que me abriu portas para o meu actual emprego. Existiu necessidade de contratar uma pessoa na minha área, devido a alterações internas e, como gostaram do meu trabalho, foi-me proposta a realização de estágio profissional (ao abrigo do IEFP e remunerado), sendo que no final do estágio foi-me proposta a celebração de contrato. Se o percurso for este, a realização de estágios faz-me sentido.
Os estagiários necessitam das empresas e as empresas dos estagiários. Acho que o caso muda de figura quando existe conclusão de um grau académico que permita exercer em pleno. Aí não me faz sentido nenhum que empresas de mês a mês apresentem anúncios em que a troco de 3 a 6 meses de trabalho oferecem somente o subsídio de alimentação como pagamento. Se fizermos contas, quem aceita esse tipo de função e tenha despesas de deslocação, quase que paga para trabalhar (supostamente o que deveria de acontecer é o inverso).
Acho que não se deve sacrificar tudo em nome da aquisição de experiência. Na minha àrea existem centenas de desempregados e todos os anos se formam mais umas centenas largas de novos profissionais, o que acaba por ser um ciclo vicioso!
Não sei até que ponto uma entidade empregadora valoriza esse tipo de “experiência” (incluo aqui os estágios não remunerados e os “voluntariados”), porque o trabalhador não se sabe valorizar a si próprio: se aceitamos trabalhar gratuitamente, então as nossas competências não são assim tão valiosas. Trabalho gratuito é o que as empresas propõem com este tipo de oferta e para mim, sinceramente, aceitar este tipo de proposta é estar a deitar o dinheiro investido, em pelo menos 5 anos de formação, pela janela fora.

Responder

Pedro Maio 13, 2009 às 14:23

@Renata
Concordo inteiramente contigo! E o que me levou a escrever este post, foi precisamente a ideia de tentar fazer ver alguma “realidade” à montanha de candidatos que recebo diariamente no meu e-mail profissional.
Mais uma vez obrigado pelos teus excelentes comentários!

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