Destruição. Colapso. Depressão. Pânico. As palavras parecem se aplicar igualmente à crise financeira mundial e aos seus efeitos sobre a psique humana. É claro que é cedo demais para avaliar as verdadeiras conseqüências psiquiátricas da crise econômica; demorará algum tempo para que os epidemiologistas possam nos informar com certeza se houve ascensão nos índices de depressão ou suicídio. Mas não resta questão de que a crise está deixando suas marcas nos indivíduos, especialmente os homens.

O problema da crise económica é que ela também se ressente na parte psicológica das pessoas, e  o senso de sucesso e de realização na vida de algumas pessoas estão intimamente associados ao seu status financeiro; e nesse sentido é complicado quando as pessoas não sabem como se sentir competentes ou bem a seu próprio respeito sem uma medida externa de seu valor.

Mesmo que eu incorra no risco de repetir estereótipos sexuais, será que os homens dependem de seu trabalho para justificar sua auto-estima de maneira muito mais intensa do que costuma ser o caso entre as mulheres? Ou eles são apenas mais vulneráveis à inevitável ferida narcísica que surge quando apresentamos mau desempenho em alguma área de atuação ou perdemos o emprego?

O desafio de manter a auto-estima sem reconhecimento ou recompensa é uma tarefa assustadora. O mais provável é que, se a pessoa não passa por qualquer momento de dúvida quanto a si mesma e continua a se sentir feliz consigo diante dos fracassos, ou ela tem o melhor temperamento do mundo ou problemas graves para lidar com más notícias. É claro que o relacionamento entre auto-estima e realização pode ser circular. Alguns argumentam que a melhor maneira de manter a auto-estima é afirmar constantemente aos outros o quanto a pessoa mesma é bacana, inteligente e talentosa.

Isso provavelmente representa uma má idéia se você acredita que auto-estima e reconhecimento deveriam resultar das realizações. A pessoa se sente bem sobre ela mesma em parte porque faz algo bem. Por outro lado, é difícil imaginar que as pessoas dêem o primeiro passo sem que primeiro tenham alguma noção básica de autoconfiança.

Em Wall Street, porém, a maré alta serve para erguer muitos barcos, e vice-versa, o que significa que muitas pessoas encontram sucesso – ou fracasso – sem que isso se deva nem a seus méritos e nem a seus defeitos. O cérebro humano está agudamente sintonizado a recompensas como dinheiro, sexo e drogas. Aparentemente, a maneira pela qual uma recompensa é propiciada tem enorme impacto sobre sua força. Recompensas imprevisíveis produzem sinais muito maiores no circuito de recompensas do cérebro do que as previstas. A reação de uma pessoa a uma situação quer melhor, quer pior, do que a esperada é em geral mais forte do que a reação a situação previstas.

Além da excitação e do prazer, eles perderam seu senso de competência e sucesso. Ao menos temporariamente – porque não tenho dúvida de que, como a economia, eles se recuperarão. Mas isso serve como lembrete quanto à fragilidade de nossa autoconfiança.

Para ficar sempre a par das novidades do blogue, subscreva a feed RSS.

Até Breve!

Related Posts with Thumbnails